MCC - CENTRO DE CONTROLO E MISSÃO DE SATÉLITES

Para a operação de um satélite, requer na Terra uma infra-estructura técnica-tecnológica central, bastante para assegurar as operações de manutenção do satélite em órbita. Assim sendo, e no âmbito do desenvolvimento do Segmento Terrestre do Sistema de Comunicação e Difusão via Satélite da República de Angola, foi projectado e construído de raiz o Centro de Controlo e de Missão de Satélite (MCC), localizado na Funda, província de Luanda.

E para assegurar o funcionamento do MCC, foi igualmente construído de raiz a infra-estructura externa de suporte, que asseguram serviços essenciais como a corrente eléctrica, armazenamento e tratamento da água. As referidas infra-estructuras externas, conta com as seguintes componentes:

  • 1600 metros de estrada de acesso ao Centro de Transmissão de Satélite;
  • Conduta adutora de água bruta, com extensão de 3600 metros de comprimento a partir do rio Bengo até ao MCC;
  • 3 reservatórios para armazenamento de água tratada num total de 600 metros cúbicos;
  • Uma (1) estação de tratamento e bombagem de água (ETA) ao MCC;
  • Uma (1) estação de captação de água no rio Bengo;
  • Uma (1) estação de comutação eléctrica de 30KV;
  • Uma (1) via asfaltada e de acesso ao MCC com 230 metros de comprimento e 6 metros de largura).

Do ponto de vista arquitetônico o MCC é um edifício moderno e futurístico que explora elementos como os cerca de 200 m3 de água da ETA para a refrigeração do edifício e uma fachada vidrada para garantir o permanente balanceamento termino entre as temperaturas internas e externa do edifício. O MCC tem três pisos e total de 47 compartimentos:

  • Piso -1, possuiu 13 compartimentos essencialmente dedicados aos sistemas eléctricos, hidráulicos e de climatização;
  • Piso 0, tem 18 compartimentos, entre salas de controlo dos sistemas de engenharia, sala de reunião, salas de trabalho dos especialistas e etc.;
  • Piso 1, tem 16 compartimentos, maioritariamente para acomodação dos operadores;

Os vários compartimentos, indicam indirectamente as várias especialidades e valências existentes a nível dos recursos humanos. Para garantir a operação de um satélite e demais sistemas instalados, bem como acompanhar as subsequentes metas de construção do satélite ANGOSAT-2, há actualmente 45 especialistas certificados pela agência espacial russa e com mais de 3000 horas de formação, subdivididos em 6 áreas, que no seu dia a dia emprestam o seu conhecimento e saber em áreas diversificadas, mas complementares tais como:

  • Análise dos subsistemas do satélite – dedicam-se a análise profunda do estado de funcionamento dos 6 ou 7 subsistemas que constituem uma satélite comunicação. Por exemplo, em função da posição do satélite na órbita, algumas partes do satélite podem estar mais frias ou mais quentes do que as outras. Dentre outras, um analista tem como missão monitorar e recomendar as medidas necessárias para garantir o balanceamento térmico do satélite.
  • Planeamento de operações de voo – qualquer acção sobre o satélite carece de uma planificação. E a planificação pode ser anual, mensal e diária. Ou seja, qualquer acção e salvo em momentos excepcionais devem constar do plano de voo;
  • Canal de Serviço – no dia a dia asseguram a comunicação entre o satélite e as antenas terrestres, na banda C e Ku. Por exemplo, está actualmente em funcionamento o sistema de monitoramento do espectro (CSM) do satélite russo AM7 e o europeu Eutelsat 3B, a referida equipa no dia a dia trata de garantir o funcionamento do CSM;
  • Balística – garantem a manutenção do satélite em órbita, através do monitoramento permanente da trajectoria que o mesmo realiza em torno da Terra. Em caso, de desvio acentuado e feita a manobra de correcção de órbita, que tem como objectivo devolver o satélite para sua posição orbital ou ponto de trabalho;
  • Administração da rede informática – asseguram o funcionamento de toda a rede informática e telefonia existente no MCC.

As equipas supra, do ponto de vista operacional são coordenadas por 4 Directores de Voo para o Turno, e do ponto de vista administrativo pelos Directores de Planeamento, Director de Análise e Director para Gestão do Payload.

Cabe referir que, desde Fevereiro de 2015 que o MCC encontra-se em pleno funcionamento e tem capacidade para operar de forma simultânea até 3 satélites. Por exemplo, no dia 27 de Dezembro de 2017, recebeu os primeiros sinais enviados por um satélite real. 

O MCC e os especialistas encontram-se preparados para operação do satélite ANGOSAT-2, que actualmente segue as etapas previstas de construção na Rússia, pela empresa RSCE Energia, e que conta também com a participação da empresa Airbus DS.